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terça-feira, 1 de março de 2011

Musicontos - Smoke Two Joints




- Pode apagar? – perguntou um.
- Pode. – respondeu o outro.
E um silêncio se fez entre os dois. Silêncio esse que rendeu milhares de pensamentos sortidos. Em poucos segundos de silêncio. Um silêncio de duas criaturas, separadas por uma poltrona e um sofá.
- Cara, as vezes a vida parece um grande jogo, não é? – Disse o que estava sentado na poltrona. O do sofá encarou o primeiro com uma expressão interrogativa estampada na face.
- Como é que é? – o da poltrona apenas sorriu e lambeu os lábios ressacados antes de começar a falar.
- Pensa comigo... – iniciou aquele que julgaria ser um verdadeiro discurso e ficaria extremamente satisfeito se ao final dele o único ouvinte presente saísse entendido. – Quando a gente precisa de alguma coisa, sempre aparece um desafio no meio do caminho. Alguma coisa que você não esperava encontrar lá. Aí você precisa pensar num jeito de passar por ele, usando os recursos e as ferramentas que você tem a disposição. Certo? – o outro fez que sim com a cabeça. Parecia estar acompanhando o raciocínio. – Então, se você consegue passar pelo seu desafio, você pode chegar no seu prêmio, naquilo que você quer. Se você para no desafio é game over, brother, desiste do prêmio. E quando a gente vai passando de fase, parece que vai ficando cada vez mais difícil...
- Nooooossa, pode crer. – completou o do sofá, finalmente entrando na conversa. – E ás vezes tem umas fases bônus.
- Fase bônus? – foi a vez do rapaz da poltrona fazer cara de dúvida.
- É, tipo aquelas missões secretas de quando o Mario entra no cano.
- Eu sei o que é uma fase bônus, só não entendi o que você quis dizer com isso.
- Ah, é quando você ta numa situação diferente do normal, parece que os obstáculos são meio diferentes. Tipo uma brisa que não é da fase mesmo, saca?
- Podeee crer.
E novamente o silêncio reinou entre eles por eternos segundos. Suas bocas se rasgavam por dentro de tão secas.
- Cara, sabe o que eu queria agora? – indagou o da poltrona.
- Hum?
- Uma garrafa de água.
- Uma garrafa?
- É.
- Também to com a boca seca, mas um copinho acho que resolve.
- Eu tinha pensado na garrafa por que a gente deixava ela aqui, aí não precisava ficar levantando pra beber água. – disse o da poltroa, todo pomposo.
- Pode creeee.
- Então?
- Então o que?
- Pega a garrafa lá.
- Por que eu? Você que tá querendo. – argumentou o do sofá.
- Mas eu já dei a idéia da garrafa. Vai, mano.
- Nossa velho, fase nível hard. – rendeu-se o outro, levantando-se de seu confortável sofá.
E ele deixou a sala em direção à cozinha. Enquanto o outro permaneceu imóvel em sua poltrona. Os segundos corriam em slow motion do cronômetro que piscava incessantemente no topo da tela. Por onde será que andava seu parceiro? Não o via mais no mapa. Que tipo de adversidades encontrou no caminho de sua busca pelo objeto final. O cálice de água eterno. Ouviu o barulho da porta da geladeira de fechando. Sabia que seu parceiro obtivera êxito em sua missão.
- Cara, esse foi tipo o chefão. – disse o outro, anunciando sua merecida vitória. Voltou a se acomodar em seu sofá, local do qual não queria ter saído de maneira alguma.
- Agora o prêmio. - E ele deu um longo e refrescante gole na água. A garrafa toda suada por fora anunciava o quão gelada ela estava.
- Ahhhhh... Refil de vida.
E ambos cairam na gargalhada. Enquanto o da poltrona bebia da poção sagrada, o do sofá mexia em alguns apetrechos pessoais que estavam no braço do sofá. O da poltrona terminou seu gole, recarregando suas energias. Enquanto isso, o do sofá o fitava esperando que o contato visual acontecesse. E o da poltrona olhou. Rapidamente o do sofá disse antes que o outro decidisse começar a falar de novo:
- E aí, vamos acender outro?

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